vendredi 2 septembre 2011
Às vezes é preciso manter-se vazio...Porque preenchimentos densos nos tornam vulneráveis.
E eu só sei absorver densidade.
mardi 3 mai 2011
Faça-me o favor de se retirar de mim, pára de me perseguir em tudo que eu sou – porque eu vou sendo (esse fluxo é incontrolável e irreprimível)...e a cada segundo, a cada transpiração, a cada surgir de pensamento, a cada ato humano, a cada reação psicológica, a cada emoção estimulada, a cada sentir-se viva eu me sinto impregnada de tudo que vivemos, de tudo que ainda resta de você em mim.
Então eu sinto a necessidade premente de selecionar toda essa “impureza” e varrer pro canto: pra além do que eu sou a cada dia, pra longe, pra fora do meu alcance, pro nada – porque eu quero que isso se equipare ao nada, se perca, se desintegre como uma partícula que sofre mutações, transformando-se em novo elemento (sua radioatividade já me contaminou demasiadamente, ou a minha, não sei ao certo – estão tão misturadas que eu me perdi em você e guardo uns vestígios seus que talvez lhe façam alguma falta). E talvez esse tenha sido o nosso maior erro, o erro originário: permitimos perdemo-nos na nossa intersecção não só identificatória, mas no mais profundo da nossa humanidade, no cerne de toda paixão e no mais intenso de todo amor. E nesse exato momento e nos anteriores e nos próximos eu me mantenho imersa nesse refúgio que antes confortava e transbordava de plenitude todos os meus sinais vitais, mas agora me decepa fatalmente de forma crua e seca e fria.
A verdade é que não sei como proceder pra estabelecer essa cisão inevitável sem cometer um suicídio emocional que me proporcione seqüelas e traumas irreparáveis. A verdade é que já pensei tanto no mar de possibilidades de ações futuras que não suporto mais qualquer esperança de “solução”, porque eu não quero assumir a realidade dolorosa: não há solução. Não há mais caminhos para nós. E as ramificações imperfeitas que nos separam cada vez mais insistem em desaguar em lugares análogos àqueles presentes no nosso passado (o passado, ao menos, é todo nosso) – ou não. Talvez seja só ilusão. Talvez eu esteja enlouquecendo. Talvez minhas divagações tenham me impulsionado a crer nisso tudo (porque enquanto eu escrevo, creio fielmente em cada vírgula expelida).
A minha loucura é por você. O meu amor é todo pra você. O meu desejo vive em função da sua existência. Mas a minha vontade - o meu querer - finalmente sintonizou-se com a atual necessidade: te repelir completamente. Mas não é simples (é mesmo como uma cirurgia decisiva, que envolve riscos mortais: para se livrar, por exemplo, de um câncer por vezes perde-se força e adquire-se certa fraqueza). Mas acontece que se eu manter isso dentro de mim, eu sucumbo. Não tenho opção, como já te disse.
Vou arrancar todos os vestígios seus de dentro de mim, não importa o quão prejudicial as conseqüências serão. Nada mais importa. Entre ruir impregnada desse “veneno” e falecer puramente naquilo que eu sou (sem interferências, sem impurezas, sem traços alheios), eu prefiro a segunda opção.
Preciso me livrar desse vício, e assumir isso é considerar a possibilidade da existência das futuras crises de abstinência. Mas é preciso abster-me de você, antes que eu me abstenha de mim mesma e me perca por definitivo nesse abismo sentimental que eu permito que me consuma até a última gota de vitalidade.
mardi 12 avril 2011
amor que as múltiplas circunstâncias consequentes de imaturidade e fome de mundo insistiram em desgastar...
amor que estraçalhou e foi estraçalhado.
amor que cansou e foi cansado.
amor sem censura, sem pudor, ingênuo.
amor que ignorou perigos e saltou de abismos sem receio de sucumbir.
amor que eu respiro.
amor que eu sou.
amor que eu vivo.
amor que eu piso.
amor que eu dependo.
amor que eu repudio e amo e desprezo e gozo e preciso e uso e faz ruir toda minha racionalidade.
amor que me faz insana e humana.
amor que me adentra e se aloja e se fixa e me inunda: amor que transborda e me devora relutantemente.
amor que me consome, me esgota e me traga até o último vestígio de vitalidade.
amor...infinito (e no momento inabitado)
lundi 28 février 2011
That I would be good even if I got the thumbs down
That I would be good if I got and stayed sick
That I would be good even if I gained ten pounds
That I would be fine even if I went bankrupt
That I would be good if I lost my hair and my youth
That I would be great if I was no longer queen
That I would be grand if I was not all knowing
That I would be loved even when I numb myself
That I would be good even when I am overwhelmed
That I would be loved even when I was fuming
That I would be good even if I was clinging
That I would be good even if I lost sanity
That I would be good whether with or without you
(Alanis Morissette - That I would be good)
mardi 22 février 2011
acontece que, desistindo de nós, eu desisto de tudo.
acontece que, eu queria não ter te amado, não ter me envolvido, não ter te conhecido.
- não pra evitar o meu sofrimento, mas pra não sentir essa culpa de uma tonelada
de ter te gerado um sorfimento sem tamanho.
acontece que eu te amo e não sei mais o que fazer com esse amor (não dá pra esconder no
closet, ou embaixo do tapete. não dá pra fingir que não existe. não dá pra esquecer.
não dá pra jogar fora. não dá pra desconsiderar. não dá pra reciclar e gerar outro
sentimento. não dá pra expulsar de dentro de mim,
porque assim, eu morreria junto. - o amor que eu tenho por você não só é inerente a minha
alma, como também ao meu coração.)
e agora? o que fazer? como proceder?
estou perdida: sem você não tenho nada, não quero vir a ser nada, preguiça de viver, de continuar.
que dor é essa que eu nunca senti antes? e que consome cada poro da minha pele, cada partícula do meu corpo, cada vertente da minha alma, cada gota do meu sangue, cada piscar de pensamento? só sei que dói. e muito. talvez mais do que eu possa suportar.
lundi 21 février 2011
Roberto Piva
mardi 28 décembre 2010
[in]felicidade irônica prolongada
tudo que eu sempre quis (desesperadamente) está em minhas mãos - o que eu faço com isso? eu ainda quero tudo isso? o pior não é a dor da urgência e o desejo pelo inalcançável, mas sim a ausência de metas, objetivos, certezas - e isso nunca me faltou. era feliz e não sabia.
"eu tive tudo sem saber quem era eu"