mercredi 29 septembre 2010

quando o tempo vaporiza-se assim como a vida, onde estão os sonhos?

jeudi 26 août 2010

talvez por ser livre, não saiba sê-lo.
talvez por ter tudo, não saiba usufruí-lo.
talvez por possuir tudo que deseja, não o possua [não saiba].

talvez o ontem cause crises existenciais
e o amanhã um futuro demasiadamente incerto [como nunca foi antes]
o hoje trata-se de um intermediário que encarrega-se de não fazer do pretérito e do futuro um inferno.

ainda custa caro mergulhar nas manhãs viradas, nas madrugadas acesas, nas loucuras alcoólicas, nas dores sangrentas, nos amores fracassados, no não-vivido, no vivido de modo [in]satisfatório, nas insanidades tão inspiradoras e enérgicas que me possuíam? o perigo é não possuí-los.

jeudi 5 août 2010

quero coisas inimagináveis, momentos inexistentes, beijos impossíveis, sensações extintas...
quero sempre aquilo que não existe - decepção constante a minha.
só sei que nunca mais vou ser a mesma, nem as decepções. tudo varia violentamente.
a vida em si é violenta, corrói, massacra - ou não (eu que a faço de tal forma). mas serve pra aprender. se não tivesse feito metade das besteiras, cometido boa parte dos excessos, tido indigestão com alguns exageros [sentimentais], o que me moveria à evolução?
todas as dores de ontem servem pra hoje eu pelo menos ter alguma noção do que eu não sou, porque sobre o que eu sou ainda falta muita coisa pra entender. e se entender, e quando entender, eu já posso morrer em paz [não vai mais haver sentido em nada que eu faça].
não sei do que sou capaz, não prevejo minhas ações, não encontro racionalidade em muitas atitudes, e também desconheço as razões características dos sentimentos. desconheço a mim e pela primeira vez isso não me causa repulsa: é fascinante - e perigoso, mas sem os riscos, o que resta?

mercredi 7 juillet 2010

"O verdadeiro lugar do nascimento é aquele em que lançamos pela primeira vez um olhar inteligente sobre nós mesmos."

dimanche 20 juin 2010

tanta coisa pra dizer, tanta coisa pra fazer, tanta coisa pra agir.
tanto pra pensar, repensar, despensar...mas cadê? - tanta ausência em mim.
tanta preguiça de continuar. tanta preguiça de viver. tanta dor pra doer. tanto pensamento solto. tanta idéia fugitiva. tanta vontade incompreendida.
ai, quanto sofrimento escoando...
melhor deixar o 'viver' pra depois, ainda tô no processo de aprender a conjugá-lo, depois cuido de exercê-lo [e o mais difícil é começar: o "eu" é o motivo de toda insatisfação e pranto, o "eu" é problemático - enquanto as outras pessoas do singular são simples, e nas do plural não sinto-me tão só].

samedi 29 mai 2010

3h22

O que move o mundo, as pessoas, as idéias, os fatos? O que move o fluir das coisas?
Tentativas sempre falhas que desaguam no fim, no finito. De que vale acreditar em doce ilusão? A ilusão impulsiona, estimula. De que adianta ser feliz? A felicidade é o melhor remédio. Que diferença faz o caminho escolhido? Toda diferença.
As diversas particularidades do "viver" são o que me instiga por vezes de forma enlouquecedora, excessiva. Todo mal é necessário, pois sem mal não há bem - e vice-versa. As dualidades se completam, as contradições se complementam [a expansão do ceticismo é válida...]. O pensamento ocidental soa como ultrapassado, como se eu estivesse cansada de manter a mesma linha do horizonte, a mesma base pra partir de qualquer pressuposto - as possibilidades multiplicam-se quando os antecedentes são modificados...Mania viciosa a de subdividir absolutamente tudo de forma tão racional, fria, incompreensiva! As complexidades existenciais são superiores a qualquer tipo de subdivisão estúpida e ineficaz sobre todas as áreas do comportamento humano.

vendredi 28 mai 2010

"Não sou um homem: sou uma dinamite. [...] ...quanto de verdade suporta? Quanto de verdade ousa um espírito? Isso se tornou para mim o autêntico medidor de valor. [...] A arte estimula a vida. [...] Bom é todo estilo que realmente comunica um estado interior... [...] ...isto é uma obra-prima sem nome, sem classe social, sem riqueza.
Fui também colocado na cruz."



F. Nietzsche

jeudi 27 mai 2010

Eu queria de verdade que tudo fosse diferente, mas isso custa um preço que talvez nem minha alma pague. Porque ser quem eu sou envolve muitos fatores além do simples fato de viver naturalmente e fazer as coisas de forma espontânea. Não só custa absurdamente caro, creio que não tenha preço. O sofrimento é mais inevitável quando me permito viver da forma que cabe aos meus "instintos", às minhas vontades...hoje tudo que é bom tem um gosto de trauma. As coisas que me lembram prazer, logo depois me remetem a traumas...e dói. Se eu não era problemática por completo, agora eu sou. E não vou crucificar culpados, porque só vivi o que busquei viver, por mais que tenho sido impossível para o meu eu não ter vivido aquilo que me era tão urgente. Era óbvio que no final eu estaria debilitada, depois de tantas lutas internas e externas, de tantas reivindicações ignoradas, de tantas revoltas incompreendidas, argumentos desprezados...minha ideologia faliu.
Agora eu sangro e não encontro refúgio para estancar o que arde para depois retomar as lutas onde só quem tem a perder sou eu - e o ciclo se [re]inicia. Existe violência pior que a mental, a psicológica?
Existe violência pior que a repressão? Morrer é tão mais confortável.

dimanche 2 mai 2010

"Beta, não espera, meu amor
O açúcar no fundo ressaca
Bebe logo de golada esse suco
[De carne azeda]
Não demora, não pare pra conversa fiada
Quem paga lá já foi, agora
Não há mais nem garçom
É de bom tom que agradeça
Ou aí dentro, ou cá, lá, fora
De qualquer cabeça
Não esqueça,
Não esqueça,
Não esqueça...

Que se a noite parece não ter fim
Tuas flores reproduzem no jardim
Dentro de uma redoma de vidro
E gelo seco...

Jasmim...
Teu cheiro inocula logo em mim
Uma vontade de viver mais um dia
Só mais um dia...
Só mais um dia...
Só mais um dia."

( D.C., 21-10-07)


o que eu posso dizer hoje?
saudade. puta saudade.
(L)

vendredi 30 avril 2010

A pergunta acerca da origem dos valores morais é, por isso, uma pergunta de primeira ordem para mim - porque ela condiciona o futuro da humanidade. A exigência de que a gente deva acreditar, de que no fundo tudo se encontra nas melhores mãos, de que um livro, a Bíblia, concede a tranquilização definitiva no que diz respeito à sabedoria divina na condução do destino da humanidade, é, retraduzida na realidade, a vontade de não deixar surgir a verdade sobre a lamentável antítese disso tudo, ou seja, o fato de que a humanidade até hoje esteve nas piores mãos, de que ela foi regida pelos malogrados, pelos vingativos-astutos, pelos assim chamados "santos", esses caluniadores do mundo e violadores do homem. O sinal decisivo no qual se revela que o sacerdote (-inclusive os sacerdotes mascarados, os filósofos-) tornou-se o senhor absoluto de tudo e não apenas de uma determinada comunidade religiosa, de que a moral da décadence, a vontade para o fim, vale como moral em si, é o valor incondicional atribuído em todo o lugar àquilo que é altruísta, e a hostilidade àquilo que é egoísta. Quem está em desacordo comigo acerca desse ponto, esse eu considero infectado...Mas o mundo inteiro está em desacordo comigo...[...] Mas o sacerdote quer justamente a degeneração do todo, da humanidade: por isso ele conserva o degenerado - e a esse preço ele a domina... Que sentido têm aqueles conceitos mentirosos, os conceitos auxiliares da moral, da "alma", do "espírito", do "livre-arbítrio", de "Deus", se não o de arruinar fisiologicamente a humanidade?...Quando se desvia a seriedade da autoconservação, da fortificação do corpo, quer dizer, da vida, quando se faz da anemia um ideal, quando se constrói "a salvação da alma" sobre o desprezo ao corpo, o que é isso se não uma receita para a décadence? - A perda do equilíbrio, a resistência contra os instintos naturais, em uma palavra, a "ausência-de-si" - tudo isso foi chamado de moral até agora...



(F. Nietzsche, Ecce Homo)